Ideologias vs. respeito e liberdade de escolha: despedida das comunidades livres

Este post não trata de notícias, informações úteis, dicas ou críticas.

Após toda essa baixaria envolvendo Stallman, Ubuntu e as escolhas que a Canonical faz, estou colocando um hiato, ou quem sabe um ponto final em minhas relações com as comunidades livres.
A liberdade de escolha não é levada a sério.

Chega de dizerem o que eu devo fazer ou deixar de fazer. A minha liberdade inclui a liberdade de escolher a distro que melhor atende aos meus requisitos, assim como a liberdade que tenho de indicar aquilo que eu achar melhor baseado nas necessidades das pessoas que eu conheço.

Durante três anos, dediquei parte de meus dias a estudar o Ubuntu, adotar práticas sustentáveis, colaborar com a comunidade ao escrever dois livros “Ubuntu – Guia do Iniciante”, palestrar em alguns eventos de Software Livre e compartilhar a minha visão do que atende às necessidades da maioria dos usuários que querem sair do Windows, mas sem lhes causar um impacto negativo.Adotei o software livre como uma opção de inclusão social, mas nunca fui um defensor ferrenho de tudo aquilo que os mais fanáticos (sim, fanáticos. O Universo do Software Livre está cheio deles) defendem. Defendo Software Livre e BOM. Software Livre que faça aquilo que ele se compromete a fazer de forma completa. Nada que precisasse ter um tratamento secundário me faz parar para apreciar. Nada que precise de “workarounds” me apetece.

Um software não basta ser livre se ele não pode ser excelente naquilo que se propõe a fazer. De nada adianta o Software ser Livre, se não vai atender às necessidades mais comuns dos usuários. Se não possui um atrativo que vai além da ideologia. Usuário usa programa, não precisa consertar código. Isso é trabalho de desenvolvedor e estudante. De nada adianta o software ser livre se a placa de vídeo não funciona como ela foi projetada para funcionar. Esse tipo de software livre eu sequer faço questão de indicar.Não vejo um mundo ideal onde islâmicos assassinam cristãos, tampouco onde um homem que se diz defensor da liberdade convoque seus “suditos” a se levantarem contra algo que persegue os mesmos ideais.

Cansei de todo esse comportamento arrogante, mesquinho e egoísta presente nas comunidades de software livre, onde pessoas se acham dona da verdade e expõem seus “amigos”, e os ridicularizam, assim como Alexandre Oliva tentou (em vão) me expor no IV Encontro de Software Livre de Ilha Solteira (SP).

No dia em que as pessoas dentro das comunidades livres se respeitarem e respeitarem o próximo, as escolhas do próximo, eu posso pensar em voltar a trabalhar em prol de seus ideais. Enquanto isso, vou escolher aquilo que eu achar que é melhor para mim, preservar a minha liberdade de escolha e a minha sanidade.

Voltemos a programação normal.

Atenciosamente

Carlos “Kadu” Eduardo do Val

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15 comentários em “Ideologias vs. respeito e liberdade de escolha: despedida das comunidades livres”

  1. É realmente triste ver que o ideal do software livre virou fanatismo.
    Isso é ruim e afasta os usuarios finais que a comidade tem tentado aproximar.
    Eu sou a favor acima de tudo da liberdade. Do que adianta todo esse falatório de não haver prisões e direito de ter dominio sobre o que você usa ou instala, se não se tem direito de escolher algo que seja diferente do que a comunidade quer.
    Eu usei linux por causa unica e exclusivamente do ubuntu, que me veio como uma opção viável ao windows. Porém eu creio que tenho o total direito de usar windows de novo. Sai do ubuntu 12.10 para o windows 8 e estou no windows 7 agora, e nada me impede de voltar pro ubuntu seu eu achar que devo voltar.
    Isso é libertadade, a tão pregada liberdade nas comunidades livre.
    É poder escolher o que melhor lhe atenda e não ficar preso a uma ideolodia.
    Há, não uso windows pirata, só pra constar.

  2. Complicado, muitas pessoas escolhem o software livre por uma questão de disponibilidade na rede além da gratuitidade como eu ,minha experiência com linux foi através do ubuntu 11.04 por indicação de um professor de manutenção de computadores do senai onde consegui tirar um bom desempenho de uma maquina antiga do meu antigo trabalho,com um processador pentium 4 e 512 mb de memoria onde o windows xp não rendia ,mas com o ubuntu funcionava sem travar ,depois disso vi que o problema não é o computador mas o sistema operacional.Atualmente uso o ubuntu12.04 como sistema principal e o vejo como sistema amigavel ,infelizmente o que passa a se destacar também torna-se alvo a ser abatido, veio a popularidade e sucesso do ubuntu mas também cresceu as criticas, sucesso ao ubuntu e que o sistema se aprimore cada vez mais!!!

  3. Eu acho que liberdade é você ter o direito de escolher o que bem entende.

    Em nenhum momento a Canonical te obriga a usar as lentes comerciais, muito pelo contrário, ela te da o direito de desabilitá-las e até removê-las.

    Eu uso o Ubuntu desde a versão 8.04, e estou completamente livre do Windows desde a versão perfeita do ubuntu 10.10.

    Sei que a Canonical não é santa, assim como nenhuma empresa é, porém o que ela fez pelo mundo linux, empresa nenhuma fez, e crucificá-la porque a sua opinião radical foi contrariada eu acho muita ingenuidade.

    Eu particularmente não gostei nenhum pouco do 12.10, a não ser pelo melhoramento no GTK, porém achei isso pouco relevante e estou feliz com o meu 12.04 aqui, e não fui preso e nem espancado por isso.

    Eu tenho o direito de usar o ubuntu ou qualquer outra distro, e também tenho o direito de usar o OS X o Free BSD o Windows, pois não existe nenhuma lei que me impeça disso.

    A única coisa que me restringe em utilizar outro sistema, é a lei contra a pirataria, e ai eu até concordo, porém fica a critério de cada um.

    Eu não uso software nenhum pirata, mas existem pessoas que utilizam e gostam de serem os espertões.

    Mas a mensagem que eu queria passar, é que não existe liberdade em uma ditadura!
    Eu tenho o direito de usar o que eu quiser, não o que um cara que prega a utopia diz.

    1. Estava querendo comentar, mas você disse tudo… concordo plenamente. Vamos ter que pensar em um novo sentido para a frase “Viva a liberdade!”.

  4. Gostei dos seus textos e do seu posicionamento, em relação ao assunto “Stallman vs Canonical”.
    O Ubuntu é sim, o melhor desktop Linux, principalmente para o usuário final(aquele que não sabe nem usar o windows)!!!
    O que vejo de errado neste momento, é que a distro se tornou uma espécie de Mac OS, cheia de fanboys, que nem sabem como defender a mesma.
    Concordo com você em tudo!! Soube defender a Distro.
    Ubuntu á todos!!!

  5. o kadu vai naonde desses caras q fazem do mundo livre a sua mulher, vc pra min hoje e 1 dos maiores c nao o maior bloguero do mundo livre, e esses troxas que nao sabem d nada ficam enchendo o saco, e como o ivan rins so ubuntero, ele reclamou das web apps, e eu concordo os do win8 como o facebook sao muito melhores pq adotaram uma maneira diferente, mas e nessa hora q a comunidade livre entra, vamo desenvolver um cliente do facebook melhor q todos tando do ubutnu quanto do win8
    e se quizer e so falar comigo.

  6. Falou tudo!! me deprime ver a falta de visão de caras que deviam ter um direcionamento mais aberto e conciliador mas preferem serem vistos como mártires e “artesãos” da vida moderna, esse papo de que software proprietário e feio e bobo já deu!!! e Viva a liberdade de escolha!!!

  7. Curioso é ver esse tipo de coisa. Em 2000 oque agente queria era softwares para realizar nossos sonhos.
    Mas hoje isso parece banal e esta na mão de uma mulecada que insistem em usar para “se sentir diferente”.
    De qualquer forma Ubuntu é lindo e funcional. e ao invés de perder tempo com esse povo acho q a melhor estratégia é aproveitar o nível que as coisas estão e produzir conteúdo e arte com as ferramentas.

  8. Não entendi direito… isso significa que você não vai mais escrever nem apoiar Ubuntu, guia do iniciante? Ou quer dizer apenas que não vai mais se envolver com a parte “xiita” do software livre???

    1. Quer dizer que vou ficar de fora de tudo aquilo que me aborrece na comunidade livre, mas vou continuar falando sobre os itens que eu gosto, como o Ubuntu!

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