Suítes de produtividade livres e o ostracismo à porta

2012, Julho, dia 15. Há mais de vinte anos, o homem achava que iria apenas falar para o computador o que queria e o computador iria “escrever” em um documento. Não foi assim…

2007. A Microsoft reinventou a interface do Microsoft Office e a interface foi bem aceita. 2010 teve mais novidades na interface. O software livre para escritórios não conseguiu inovar nos cinco anos seguintes e o mundo corporativo não viu outra alternativa, senão investir milhares de dólares em licenças Microsoft. Onde está o erro?

A Microsoft, uma empresa que visa lucro e expansão está certa em remodelar seus produtos para uma nova geração de usuários, afinal, entrar na segunda década do século XXI utilizando a mesma interface de quase 20 anos atrás não seria bonito para ela, mas a comunidade livre não se mexeu nessa direção e deixou a maré ficar cada vez mais violenta.
Separações, forks, mudanças perceptíveis apenas para quem faz o programa. A suíte de escritório OpenOffice perdeu importância para sua derivada LibreOffice, mas este ainda não mudou muita coisa. Mas a pergunta que podemos fazer é: agora que as coisas estão cada vez mais na nuvem, precisa?

O Google possui o seu Google Docs e a Microsoft viu que poderia ganhar uns trocados com a nuvem também e lançou o Office 360. Sua interface é perfeitamente adaptável a quem vem do Office 2007 ou 2010, agora, quem vem do Office 2010 consegue se adaptar tão bem aos LibreOffice e ao OpenOffice? Seria hora das suítes livres se reinventarem ou cairem no ostracismo para as soluções na nuvem?

Uma extensa comunidade, cheia de pessoas com boa vontade, também está lotada de pessoas com ânsia de terem seu ego massageado. A politicagem dentro das comunidades livres estaria atrapalhando a evolução dos softwares livres? Boas ideias não faltam, como a ideia de remodelagem do brasileiro PauloUP, que mostrou em 2011 um mockup maravilhoso do que seria o novo LibreOffice, mas cadê as boas almas para fazê-las? O LibreOffice Citrus foi recursivamente recusado…

Mockups de mudanças sugeridas pelo brasileiro PauloUp

Não me importaria em pagar por uma suíte de escritório para Linux. Mesmo que ela não fosse livre, contanto que tivesse as funcionalidades que tem, mas que fosse moderna e combinasse com o resto do meu computador. Não quero um software com cara de anos 90. Me considero uma pessoa da geração Y.

LibreOffice Citrus: um projeto recusado

O motivo desta postagem não é colocar em jogo as funcionalidades dos softwares de produtividade open-source. Todo o livro “Ubuntu – Guia do Iniciante 2.0” foi produzido no LibreOffice. Ele é muito bom, mas tenho uma imensa inveja dos outros sistemas que tem uma suíte de escritório mais “cool”.

Não estou sendo ingrato ou irônico, mas aqui vai uma revelação bombástica: estou esperando apenas a Microsoft anunciar o Office 360 para usuários domésticos para comprar minha licença. Enquanto isso, uso o LibreOffice em documentos sérios e o Microsoft Office no WINE para me consolar de vez em quando.

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10 opiniões sobre “Suítes de produtividade livres e o ostracismo à porta”

  1. Abordagem interessantíssima. A busca por uma interface mais moderna é evidenciado pelo Unity do Ubuntu, o Gnome-shell e a interface Metro (do Windows), mas essa busca ainda está chegando aos aplicativos. Uma mudança de interface nos aplicativos é mais evidente que em ambientes (unity. metro e gnome-shell) pois afeta mais o usuário.

    Na questão dos aplicativos, a identidade visual depende do framework (GTK e QT) e mesmo assim não há um padrão evidente.

  2. Concordo com tudo, não consigo compreender como os desenvolvedores ainda não perceberão que precisa de uma grande mudança, e pelo visto o LO 3.6 não vai mudar nada =(.

    Tenho utilizado o Google Docs com o GWoffice, no qual achei um bom aplicativo ainda mais pelo tempo em que foi desenvolvido.

  3. Cara, concordo plenamente com tudo o que diz.
    Sempre busco contribuir com a comunidade e sempre vejo coisas do tipo:

    […]Que nojo, isso lembra windows, temos que focar primeiro a estabilidade, depois pensamos no visual, se acha que fica melhor assim, faça você mesmo[…]

    O fato é que os desenvolvedores de software livre são egocêntricos e arrogantes.
    Nunca aceitam opinião externa e por isso, aparenta fazer o serviço pela metade.

    O ubuntu por exemplo, inovou com a interface unity, mas a inovação veio pela metade.
    Os menus dos applets são todos GTKs, e isso deixa uma sensação de sistema operacional mau feito visualmente falando.

    Fiz alguns mockups e enchi o saco do povo do brainstorm para que adotem alguma das minhas ideias, e a resposta até que foi positiva.
    Não sei como vão adotar, mas sei que já tem projetos pra implantar essas ideias.

    Aqui na minha página do DevianArt você pode configurar alguns dos mockups
    http://thiagobezzy.deviantart.com/

    Esse é um vídeo de uma remodelagem da tela de desligamento que sugeri

    E esse é um pacote de ícones que venho desenvolvendo, em parceria com os ícones do Frank Souza [FS Icons].
    http://ubuntuone.com/0Nd003anTz9Zplwtuwazls
    ……………………………………………………………………………………………………….
    Pra finalizar essa bíblia que eu escrevi, vale a pena salientar que o linux vem crescendo, e junto com ele os softwares e as distribuições também tem que evoluir.

    Interface e estabilidade tem que andar lado a lado, pois um não é mais importante do que o outro!
    Nem todo mundo entende de computador, nem todo mundo gosta de quebrar a cabeça pra aprender a mexer em algum sistema ou programa.

    Vamos deixar de ser ignorantes!

  4. Kadu, ótima abordagem sobre as suítes de escritório lives…

    Fazer uma mudança radical na interface dos programas não é tão trivial assim, não por questões técnicas, mas principalmente por causa do usuário final.

    Recentemente o site http://www.ubuntero.com.br fez um Podcast com os líderes da comunidade LibreOffice no Brasil, nele foi abordado essa questão de mudança da interface e os principais motivos para não fazer essa mudança brusca na interface.

    Quem tiver interesse, deixo a seguir os links dos dois episódios do Opencast sobre o LibreOffice:
    Parte 1: http://www.ubuntero.com.br/2012/06/opencat-12a-libreoffice/
    Parte 2: http://www.ubuntero.com.br/2012/06/opencast-12b-libreoffice/

    1. Rudinei, usar como desculpa “o usuário final” não convence mais.
      Se o usuário não se adapta à nova interface, ele continua com a interface antiga, vide o exemplo do tempo de existência do Windows XP e seus números até o ano passado nos desktops mundo a fora.

      A Canonical apostou e aos poucos está colhendo alguns louros. Críticas e críticas não foram suficientes para fazê-la voltar atrás, e olha o caminho que o Ubuntu está tomando.

      Não podemos nos prender a conceitos abstratos como “por causa do usuário final”. Essa desculpa é cascata. Alguém está segurando a evolução e isso vai custar um preço alto para os softwares livres desta categoria.

    1. Lucas, acontece que você pode ter conhecimento técnico e tempo suficientes para fazer as mudanças sugeridas no artigo do seu link, contudo, poucas pessoas compartilham dessas vantagens e preferem pagar por algo pronto. Isso tira alguns méritos dos softwares livres em geral.

  5. Quando o assunto é Office eu meu sinto completamente frustrado em falar com um usuário do Windows pois a interface do LibreOffice está muito antiquada, é praticamente o mesmo que dizer para alguém usar o “MSOffice 2003” com suporte a mais algumas extensões de arquivos, sem o Publish e etc ¬¬…
    Cara eu apenas coloquei a barra que fica o botão de Salvar e Abrir para o lado esquerdo e já deu um novo visual para o meu LibreOffice =).
    Lucas, não vi mudança nenhuma na interface do link que você mostro :s.

    O IBM Lotus Symphony foi doado para o projeto OpenOffice da apache, espero que melhore alguma coisa no visual do LibreOffice e do OpenOffice com ele. Me parece que tem uma versão para Linux já do IBM Lotus Symphony no site da IBM só que eu não consegui baixar :s.

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