Análise de Sistemas: Técnicas de Elicitação de Requisitos

No último artigo que escrevi sobre Análise de Sistemas, dei uma visão geral sobre o papel de um analista de sistemas, mas um item importante ficou de fora foi a “captura de requisitos”. Como saber exatamente o que o sistema deverá trazer?

Bem, já sabemos que um dos papeis do analista de sistemas é “prover um entendimento entre a equipe do cliente e a equipe que irá trabalhar no projeto”. Para promover este entendimento entre equipes, com cada pessoa do lado do cliente querendo uma funcionalidade diferente, ou a mesma, mas expressando um ponto de vista diferente…é de deixar qualquer um louco, não é mesmo? Não um analista de sistemas.

Existem técnicas próprias para se chegar a um entendimento sólido sobre o que o sistema deve ter e fazer, mas o passo inicial é saber se já existe um, e se existe, o que existe nele que funciona bem e o que não funciona, assim, evita-se “reinventar a roda”, o que não significa reaproveitar o sistema existente, mas sim, “copiar sua funcionalidade boa” (alguns irão querer me matar por dizer isso ^_^).

Quais são essas técnicas de elicitação de requisitos?

  • Entrevistas
  • Questionários
  • Observações de campo
  • Investigação e análise documental
  • Prototipação

Entrevista

Okay, okay, mas…como são feitas as entrevistas? Terei de entrevistar todas as pessoas da empresa?
Claro que não. Quer dizer, se a empresa for grande, não.
O objetivo das entrevistas é obter a opinião dos entrevistados, o que ajuda na descoberta dos problemas-chave a serem tratados, conhecer os sentimentos sobre o estado atual sistema (caso exista) e levantar procedimentos informais (os workarounds).
As entrevistas relevam importantes dados sobre o que será necessário no sistema e podem seguir dois caminhos. Um longo, que poderá não fornecer dados sólidos, mas por outro lado, poderá fornecer detalhes que em uma entrevista fechada.

No caminho longo, o analista faz perguntas abertas ou “subjetivas”, e deixa a pessoa responder o que ela desejar. Nisso, as pessoas podem devanear e acabar falando de coisas inerentes ao projeto, mas podem levar a novos questionamentos e fornece mais riquezas de detalhes.
No caminho curto, as perguntas são objetivas, como “sim” ou “não”, botão quadrado ou redondo, etc. Todo o material, claro, deve ser anotado e se possível, gravado (desde que se tenha a permissão do entrevistado).

Entrevistas devem ser planejadas, com data e hora marcada, tempo de duração, elaboração prévia das questões,
Depois, esse material é passado para a forma de dados, a fim de se juntar aos próximos dados.

Questionários

Os questionários são interessantes e podem fornecer um feedback rápido, pois possuem o formato “pergunta-resposta”, entretanto, deve ser usado como uma forma de complementar, afim de quantificar o que foi levantado em entrevistas, determinar como certas opiniões são realmente difundidas ou limitadas.

Uma das vantagens é a possibilidade de coletar dados de uma grande quantidade de usuários para, então, selecionar pessoas-chave para entrevistas.

Devido a falta da presença física do entrevistador quando o questionário é aplicado, é preciso ter alguns cuidados na aplicação de questionários. Confira:

  • Possuir questões claras e sem ambiguidades
  • Possuir um fluxo definido
  • Administração planejada em detalhes
  • Levantar antecipadamente as dúvidas das pessoas que irão respondê-lo
  • Como nas entrevistas. questões podem ser subjetivas ou objetivas. No caso de subjetivas, limite a quantidade de caracteres ou palavras da resposta, como no Twitter. Por exemplo, “Responda com até 20 palavras”.
  • No caso de perguntas subjetivas, atenção com aquelas que permitem respostas muito vagas
  • Em questões objetivas, utilize métodos que envolvam escalas, como por exemplo, “Escolha o nível de satisfação com tal funcionalidade, de 1 a 5, com 1 sendo muito insatisfeito e 5 muito satisfeito”.
  • Questionários não devem ter mais que duas folhas A4.

Métodos de aplicação

A melhor forma de se coletar os dados de questionários é através de uma reunião.
Após informações serem passadas, instruções e e afins, a maior parte das pessoas interessadas ou alvo do sistema estarão presentes. Isso torna a fácil passar as instruções de maneira uniforme e o retorno é muito bom.

Uma segunda maneira de aplicar um questionário, é o Analista entregando e recolhendo os questionários individualmente. Sua desvantagem é o tempo que se perde.

Observação

Esta técnica é uma interessante maneira capturar informações relevantes para o desenvolvimento do projeto, pois coloca o analista dentro do campo de atuação dos usuários do sistema, observando como as coisas são feitas, quais os processos, quais os meios alternativos que são tomados frente à situações delicadas, enfim, é importantíssima para coletar informações que, normalmente passam despercebidas quando usadas outras técnicas.

  • Captura o que realmente é feito e não o apenas o que documentado ou explicado
  • Auxilia a compreensão do relacionamento entre o tomador de decisão e os demais
  • Auxilia a confirmar ou negar informações obtidas por outras técnicas

Investigação

A investigação coleta informações que são difíceis de se obter por entrevistas, questionários ou observações. Tais informações são:

  • Histórico da organização
  • Cultura e hábitos internos
  • Relacionamentos entre os diferentes setores que utilização o produto
  • Informações financeiras
  • Direcionamentos futuros

Os dados coletados podem ser qualitativos ou quantitativos.

Dados quantitativos fornecem dados baseados em números, métricas, metas e relatórios de desempenho, relatórios usados para tomadas de decisões, formulários e fichas, etc.

Dados qualitativos são obtidos através de análise de memorandos, quadros de avisos, manuais, etc.
Dados qualitativos são úteis para conhecer as políticas da organização, identificar termos comuns, conceitos, comportamentos, linguagem e cultura, compreender o fluxo de informação e o grau de comprometimento dos membros.

 Prototipação

Finalmente, a prototipação, que deve ser um instrumento usado com cautela para se recolher requisitos.
Este artifício é normalmente empregado quando o cliente não sabe expressar seus requisitos de forma satisfatória, porém, é uma “faca de dois legumes”.

Um protótipo pode ser semi-funcional, algo que forneça uma resposta. Pode ser em HTML, flash, ou outra tecnologia, que poderá fornecer a sensação de funcionalidade, ou pode ser um desenho feito à mão, um mockup (montagem de tela com programas de edição de imagens), etc.

O problema de protótipos funcionais, é que além do tempo que se leva para construí-los, parte dele pode ser levado para o projeto acidentalmente, o que não é nem um pouco considerado “boa prática de programação”. Outro fator, é que o cliente pode achar que o protótipo é algo realmente funcional e querer “apressar” o andamento do projeto, dando menos importância ao desenvolvimento completo do trabalho.

Este artigo finaliza então um breve conceito sobre “Análise de Sistemas”, porém, existe ainda um campo enorme que não foi abordado.
Os temas expostos nos artigos relacionados nesta série, são materiais de estudo acadêmico de minha atual formação em andamento. Espero, com isso, abrir caminhos para que pessoas interessadas em saber o que é e como funciona a Análise de Sistemas possam sanar algumas dúvidas e, outras pessoas que já estão estudando e precisam de algum material de referência.

Sugiro como leitura dois trabalhos do professor da Universidade Federal do Espírito Santo, Ricardo Almeida Falbo:

Projeto de Sistemas – Notas de Aula

Engenharia de Requisitos – Notas de Aula

Convido-os também a conhecer o site do autor dos trabalhos acima:

http://www.inf.ufes.br/~falbo

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2 comentários em “Análise de Sistemas: Técnicas de Elicitação de Requisitos”

  1. Eu estudava Análise e Desenvolvimento de Sistemas, mas por problemas na faculdade, tive que largar o curso. Apesar de não ser um apaixonado por programar, gostava só de PHP, uma das matérias que eu mais gostava era essa. Levantar os Requisitos, Entrevistas, Prototipos, Scrum, Xtreme Programing.

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