Dez coisas que faltam para o Ubuntu ficar perfeito – versão 2012

Há quase dois anos, divagando sobre o que em minha opinião seria um “Ubuntu quase perfeito”, muita coisa mudou. Muito do que eu escrevi realmente foi aplicado, como um painel de controle centralizado, instalação de drivers e pacotes facilitada, melhoria nos ícones do sistema, ferramenta de backup simples e, nesta semana, a Canonical anunciou o fim do suporte financeiro ao Kubuntu.

Desta vez, estou trazendo novamente dez pontos que o Ubuntu precisa melhorar se quiser continuar como a distro que desponta no mundo Linux.

1º: Personalização

Não, não é o Unity que as pessoas estão odiando. É a falta de opções de personalização do sistema. A Canonical está segurando seu sistema com rédeas curtas, afim de manter um controle maior sobre a experiência de uso, que, na verdade, é voltada para usuários leigos em Linux.
Pessoas querem que seu sistema simplesmente funcione. Nerds querem que seu sistema seja “diferente”. Para esses, existe o Arch, o OpenSUSE, O Fedora.
O que a Canonical deve projetar é “onde o usuário gostaria de manter o Lançador”. À esquerda da tela? Direita? No rodapé? Não tô falando de deixar pessoas terem acesso ao CCSM (mantenham essa arma longe de usuários leigos), mas sim, oferecer mais opções para pessoas manterem seu Desktop do jeito que mais lhe convém. Pode combinar com “acessibilidade”.

2º: Ciclo de desenvolvimento

Sabemos que o ciclo de desenvolvimento de cinco meses é pouco para um sistema operacional. Um rolling release é interessante, e dá aos usuários uma impressão menor de que somos eternos beta testers.
Não queremos um novo player de música ou uma novo visual na Central de Programas. Queremos um sistema sólido como rocha, testado e estável o suficiente para não precisarmos fazer workarounds.
Um ciclo de desenvolvimento de um ano, com intervalos de dois ou três anos entre versões LTS parece que funcionaria bem. Os famintos por novidades só usariam o rolling release, o usuário não-geek, as empresas de desenvolvimento de software e o mercado corporativo agradeceria a estabilidade e confiança.

3º: Games, games, games!!!

Não queremos Tíbia, não queremos joguinhos simples com cara de início dos anos 90, não queremos mais um jogo de FPS. Queremos jogos decentes. Queremos diversão! Se não pela opção de instalação em nossos computadores, com alternativas na nuvem, como o OnLive. Canonical, pesquise sua base de usuários e faça acordos com os estúdios. Ofereça vantagens de expor seus softwares na Central de Programas. O público agradece.

4º: Livrem-se do Compiz

O Compiz era legal. Era legal quando não sabíamos que o Unity rodava sobre ele e que o Unity era apenas um “plugin” dele.
O Mutter é interessante, mas se o objetivo é diferenciar-se do GNOME, que tal portar a interface para o gerenciador de janelas Kwin, adotar de vez o QT (não, não o KDE) e facilitar a vida de todo mundo? Não sou um hater, como muitos que vejo indo pro Arch ou para o Mint, mas se é pra reinventar a roda, faça-a rodar direito.

5º: Uma suíte de escritório renovada

O LibreOffice é bom, mas sua interface espartana realmente não ajuda a dizer que o o sistema é moderno e mimimi. Não sei quantos profissionais são necessários para se construir uma suíte de escritório, mas sei que solução existe.
Se é caro escrever uma nova suíte de escritório do zero, não tem problema. Faça uma bem feita, estável, bonita e prática. Teste. Se a comunidade “testadora” aprovar, cobre por ela. Usuários Linux pagam mais se o software for bom e valer à pena colocar a mão na carteira.

Para os que não quiserem comprar, sempre haverá na esquina uma suíte open source.

6º: Programa de certificação de software

Já pensou em ver um software com o selo de qualidade e compatibilidade com o Ubuntu? É, parece coisa da Microsoft, mas dá certo e as pessoas confiam.
O projeto de interface é algo que deve ser levado em consideração. Uma interface coerente é mais importante que uma interface bonita e coerência às vezes pede padrões.
Um padrão de alocação de ícones, tamanho, forma de interação com o ambiente. Tudo funcionando como se fossem feitos um para o outro. Parece chato fazer, mas é bonito de se ver e mostra seriedade e preocupação com o produto final.

Comofas? Simples! Crie uma cartilha de HIG (Human Interfaces Guidelines), crie um site para isso, crie uma equipe de avaliação e pronto. Claro, programas seriam beneficiados com melhor estabilidade na distro que mais cresce, seriam melhor vistos pelo público externo, o profissional poderia VENDER seu software na Central de Programas apenas se ele receber o selo de certificação Ubuntu. O que não receber não poderá ser vendido. Ponto para a Canonical, ponto para o desenvolvedor e ponto para o usuário.

7º: Ubuntu One: herói ou vilão?

Uma vez que você ativar o Ubuntu One, adeus conexão. E se você é usuário de 3G, mantenha suas mãozinhas longe desse bicho.
Não adianta clicar em “desconectar”, não adianta inserir o comando u1sdtool -quit no terminal. Ele vai se ativar sozinho, comer toda sua banda e sua conta pode ir às alturas. Melhora isso e dê um real controle para o usuário.

8º: Ubuntu TV como Media Center

O Windows tem, o Mac tem e nós, mesmo não precisando, também estamos afim.
O UbuntuTV é legal e pode ser integrado ao sistema, dando um acesso rápido às midias locais e na nuvem. E ainda ajuda a melhorar o marketing do sistema.

9º: Usuário registrado é usuário feliz

A tela de instalação do sistema é simples e legal, mas, que tal pedir a permissão de captar informações do usuário, como perfil de hardware, localização e preferências de Desktop afim de melhorar a usabilidade e realmente fazer algo útil com essas informações?
Pense nas possibilidades: ao se registrar, você já estará criando uma conta no Launchpad, uma conta Ubuntu One, uma conta para comprar programas na Central de Programas. A Canonical, de posse da informação da quantidade de instalações ativas, pode usá-las para atrair os desenvolvedores e empresas especializadas. Compartilha a informação quem quiser. Se não quiser, não tem balinha. O Google faz isso o tempo todo e ninguém reclama.

10º: Empathy: ou troca ou remova esse lixo

O Empathy é integrado ao Ubuntu, mas vamos combinar, que programinha tosco!
O excesso de simplicidade e a falta de recursos tornam esse programa irritantemente um peso morto no sistema. Taí o Skype, que é ótimo mas pode melhorar, o Emesene que é legal mas pode ficar melhor. O Amsn não. Ou então, desenvolvam algo mais moderno e legal de se usar e integrem-no ao sistema.

Conclusão:

O sistema melhorou muito e muitos dos itens aqui descritos são críticos. Assim como muitos pontos vistos há dois anos melhoraram, e muito, vamos esperar e ver o que poderá acontecer nos próximos dois anos. Um LTS está chegando e poderia ser melhor do que será. E você? O que acha que pode melhorar? Concorda ou discorda dos itens apontados? Comente abaixo.

Pronto! Podem me crucificar 🙂

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17 opiniões sobre “Dez coisas que faltam para o Ubuntu ficar perfeito – versão 2012”

  1. Concordo plenamente com seu post!

    Praticamente usuários newbies em linux criaram um sinônimo de Ubuntu = Linux, sendo que o mundo Linux é imenso e até hoje, existem diversas distros tão boas quanto o Ubuntu. Eu por exemplo, não me dei bem com Ubuntu e sim o Arch Linux.

    Sobre os softwares que você citou, creio que depende muito da força da comunidade e falta empresas como a Cannonical por exemplo, investirem nesses e outros projetos. E isso é algo que ainda levará tempo para mudar, principalmente por que são poucas empresas que se aventuram no mundo open-source.

    Infelizmente o dinheiro move o mundo e a ganância da maioria das empresas fazem com que não percebam que também existem meios de obter lucros em projetos de código aberto.

  2. Uso o ubuntu a 6 anos desde a versão 4.10 ele evoluiu muito em sua interface sendo que a era Gnome pra mim foi a melhor, no inicio achei o unity problemático com o compiz e o perigoso ccsm quase perdi a interface conseguindo restaura-la no modo unity 2D a minha conclusão é que com esses ciclos curtos de atualização para uma versão mais nova do ubuntu é a de que a canonical em um futuro próximo possa chegar a um sistema sólido com as características dos quais sua base de usuários querem, acredito que a canonical escutem sua imensa base de usuários que na maioria são formados por pessoas ligadas a desenvolvimento open source e que teremos ai um ubuntu versátil, perfeito nos próximos anos com um ciclo de desenvolvimento maior em torno de 2 anos.

  3. Concordo com você. Comecei no mundo Linux usando Ubuntu, mas nas últimas versões o sistema mostrou-se muito instável o que me levou a passar a utilizar o Debian. Penso que o pessoal da Canonical deveria focar um pouco mais na questão de estabilidade do Sistema.

  4. Kadu,concordo com vc em quase tudo,mas confesso que o quarto intem eu não entendi,como assim o compiz roda no unity? em todas as minhas tentativas nao tive sucesso de portar todas as facilidades do compiz para o unity,esse inclusive é um dos motivos de ter o 10.10 no meu Desktop e nao atualizar para as versões mais novas com o unity padrão,gosto do gnome com o compiz-fusion,gostaria que vc explicasse melhor essa questão… grande abraço e o site está muito legal…

    1. O Unity, assim como aquele efeito de “chuva”, ou “fogo” na tela, é apenas um plugin para o Compiz. Daí, ele carrega consigo as vantagens e as desvantagens do Compiz e também a incompatibilidade com o Mutter. Repare que no CCSM há a possibilidade de desativar o Unity, mas não recomendo sequer pensar nessa possibilidade.
      Você pode rodar o sistema sob a opção “Unity 2D”, que é baseada em QT. 🙂

  5. Concordo com tudo escrito no seu post. É um opinião bem sensata e acho que a Canonical ainda vai nos surpreender nesses aspectos. Agora uma das coisas que mais me incomoda é esse Empathy. Puts que tosqueira!! É lamentável que o mundo linux não tenha um comunicador instantâneo bacana, que se não chegar perto do MSN da microsoft pelo menos ofereceria as mesmas funções (chat de vídeo). Observei que essa questão é a principal que afasta as pessoas que apresentei o ubuntu como alternativa ao Win e Mac OS

  6. eu acrescentaria uma unica coisa a mais, uma versão em dvd com todos os ambientes graficos, e com numerosas opções de pré-instalação desde ambiente simples sem interface gráfica, até um completo media center, ou um ambiente de servidores

    1. Aí, Roney, será que um usuário que é leigo, que não sabe o que é GNOME ou Unity, ou KDE, saberia qual escolher?
      Existe uma regra: não dê muitas opções. Corre-se o risco do cliente não saber qual escolher e sair sem comprar nada.

      1. o unity e a suite de programas usados no ubuntu atualmente, não é mais tão legal, quanto na epoca do 7.10, ou no 8.10; a suite oferecida no mint lxde achei mto melhor, se o ubuntu oferecesse uma versão roling release com suporte a 2 anos, usaria ele de boa

  7. Concordo com tudo… principalmente com a dependência do Unity em relação ao Compiz.

    Para máquinas mais modestas temos que nos contentar com o secundário e sempre atrás Unity2D, ou partir para outras distros (no meu caso, de preferência o Debian).

  8. Mensageiro legal q gostei e tô testando é o Jitsi (SIP Communicator), me parece muito bom mas pode melhorar. (por enquanto é o melhor q já vi.

  9. Gostei do Post, e um ponto que está me irritando muito (ponto 10 do post), é o fato do Empathy estar ainda desse jeito tosco e pobre como está. Acho que é o ponto mais fraco do Linux Ubuntu não ter um mensageiro instantâneo decente. O Empathy é uma tristeza, o Emesene é ridículo, o JIT até que é bonito mas cheio de erros e exceptions, o aMSN era bom mas já ta ultrapassado e com um visual desajeitado e horrível. Supostamente está para sair uma versão nova do aMSN, o aMSN2, que parece ser bom, mas até agora, nada!. O ICQ para Linux, que pensei que seria uma salvação pelo fato de ser pioneiro na área de mensageria, não me agradou porque não veio com todas as funções que a versão para Windows tem. Se ao menos tivesse vindo com videoconferencia, etc, etc aí até que teriamos uma opção decente de mensagerio em Línux, mas lamentavelmente não foi. EU GOSTARIA MUITO que renovassem o Empathy, melhorando sua UI, suas funcionalidades e trazendo ele para o século XXI, mas parece que vai demorar. Ainda bem que o Skype lançou a versão 4.0 e ajudou bastante na área de video-conferência. O Ubuntu One não me convenceu. Gostei dele por ser integrado ao Ubuntu, mas o aplicativo pra Android ICS, não funciona e dá erro de http.request na hora de validar a senha, etc. O que ajudou foi a Google te lançado o Google Drive pra Linux e agora uso ele no Ubuntu 12.04 e no meu Android ICS.

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