Ubuntu Unity: (des)unindo uma comunidade

Durante muitos anos, as interfaces que vinham nas distros Linux eram um pouco mais pobres que as de outros sistemas não-livres. Muito se reclamava da “feiura” do sistema, mas pouco se fazia para melhorá-la. As coisas ficavam mesmo nas mãos de usuários que criavam “customizações” de seus Desktops e compartilhavam em sites como GNOME-look.org e KDE-Look.org.

Aí, veio o time do KDE e mudou toda a interface, adicionou um renovado framework e voilá! Boa parte da comnunidade ficou, desculpem o modos, “putinha”, e se virou contra o KDE 4. A Canonical, que desde o começo com o Ubuntu usava o GNOME, tinha certos problemas com a fundação GNOME, pois tinha ideias que considerava legais, mas a galera do GNOME não achava e não aceitava implementá-las. Daí, surgiu uma diferença no GNOME que vinha no Ubuntu e daí, começou a brotar uma nova interface: O Unity.

O Unity veio bem em tempos de lançamento de uma nova versão do GNOME, com interface remodelada, novos efeitos firulas, mas a Canonical já tinha decidido implementar o Unity em sua distro padrão e então começou um “mimimi” na comunidade Linux: aqueles que não aceitam mudanças ficaram furiosos com a nova interface, e queriam que o Ubuntu continuasse com a mesma interface de um sistema de dez anos atrás.

O Ubuntu está bonito, está funcional e está cada dia mais completo, mas há um detalhe que as pessoas que não gostam de mudanças tem que colocar na cabeça: o Linux é livre, o Ubuntu é livre. Se você não gosta de inovação (e pode ter certeza, se você gosta de usar sempre a última versão do sistema, A INOVAÇÃO SERÁ TESTADA EM VOCÊ!), pode continuar a usar as versões mais antigas do Ubuntu, como a LTS (Long Term Support) 10.04, ou a última com o ambiente padrão do GNOME 2, o Meverick Meerkat 10.10 (que é muito estável, por sinal).

Dizer que o Unity reduz a produtividade é uma grande desculpa esfarrapada. Existem diversas teclas de atalho para facilitar a utilização do sistema. Este texto, por exemplo, para ser escrito no Writer, foi preciso pressionar a WinKey (Super, para os “evangelizados”) e digitar “writer”, pressionar Enter e pronto. O editor de textos já estava aberto. Muito mais rápido que ir em Aplicativos > Escritório > LibreOffice Writer, não é mesmo?

Li um comentário em um site português de tecnologia, que quem “manda é o cliente. Se o cliente não gostou do produto, a empresa deve retornar à versão antiga, ou ela não respeita o cliente”. Não é assim. Isso, às vezes significaria que a empresa teria de se ater ao que os clientes “conservadores” querem e parar a inovação. Isso é “uma faca de dois legumes”.

Existem opções para quem não gostou do Unity. Manter uma versão mais antiga, migrar para outra distro, usar um comando “fallback”. De todas elas, pode ter certeza de uma coisa: você continua sendo livre para escolher, livre para discordar, mas não é livre para barrar o progresso e a inovação.

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19 opiniões sobre “Ubuntu Unity: (des)unindo uma comunidade”

  1. Acho legal a idéia de liberdade e tal, mas acho q um projeto de software q prega ser “da comunidade” deveria ouví-la mais =)
    E discordo totalmente do “Dizer que o Unity reduz a produtividade é uma grande desculpa esfarrapada”, não da pra medir produtividade pela facilidade de abrir um aplicativo, há diversos fatores.
    Digo isso por mim, até dei uma chance pro Unity (usei por 3 meses) mas cansei e instalei o PinguyOS (tema igual do elementaryOS) e to bem mais feliz (e produtivo).
    Anyway, pelo tom agressivo do meu post, vc vai ignorar meu comentário (e argumentos) e dzer q é só mais mimimi =P
    #AllHailFreedom o/

    1. Nunca ignoraria uma opinião sensata, Diego.
      Parabéns pela iniciativa de mudar quando você não sentia “em casa”. Melhor que “ficar em casa reclamando” =D

      Espero que um dia você volte e dê uma nova chance ao bom e velho Ubuntu.
      Abraço

  2. Btw, complementando meu comentário anterior, não acho o Unity feio (acho até bonito). Meu real problema com ele, é q ele atrapalha o meu workflow (pra outras pessoas ele pode ter ficado mais produtivo, infelizmente pra mim não).
    Quem sabe nas próximas versões, ele tenha mais opções de customização, continuarei testando e esperando por boas novas =)

      1. Eu sei disso sim haha, mas: 1) no 11.10 não haverá mais isso (sei q haverá um fallback instalavel); 2) o foco da Canonical é o Unity.
        Não falei isso antes, mas uso o PinguyOS como primário, e tenho o Ubuntu instalado numa VM (pra testar o Unity, ver oq tá mudando e etc). Quando eu ver q as coisas melhoraram, volto a usá-lo =))
        P.S.: alguem perguntou pq algumas pessoas reclamam do Unity: pq elas Ñ gostam dele (e gosto é pessoal, normal gostarmos de coisas diferentes ;P)

  3. Não tenho nada contra o Unity, mas estou aqui para defender também o Gnome 3 e o KDE 4.7. O Gnome 3 é muito mais de que um conjunto de “firulas”, pois o seu desenvolvimento foi muito estudado e pesquisado durante anos com usuários finais, apesar de ser estranho usar no começo, ele se torna muito produtivo e fácil e tá bem mais estável que o lançamento do KDE 4.0, gostei muito. Já o KDE 4.7 mostrou um abiente mais maduro que as versões anteriores, mais veloz (comparável ao Gnome), mais ferramentas produtivas, simples e estável, na comunidade está sendo muito eleogiada e eu também aprovei a mudança, porém ainda estará disponível apenas na próxima versão do Ubuntu. Agora o Unity também é bom e tem suas vantagens isso mostra que o Linux começou o ano muito forte e teremos mais dificuldade em escolher o ambiente para trabalhar… Que tal os três?

  4. Ubuntu é pra todos, pra todos os gostos, e sempre encontra-se aquele que mais agrada por várias razões.
    Agradeço e parabenizo os incansáveis e dedicados membros e colaboradores que proporcionam essa grandiosidade e estabilidade que é Ubuntu Linux.

  5. O que eu acho bem engraçado é que o GNOME continua lá na tela de login!!!!

    Basta escolher ele e entrar!!!!!!!!!

    Mas EU prefiro o Unity…

    VÁ ENTENDER PQ ESSE POVO RECLAMA!!!

  6. O preocupante agora é que a Canonical disse que não disponibilizará mais a versão clássica para login. As sessões que existirão serão ambas Unity e Unity 2D (para quem não possui placas com aceleração gráfica). Odiei a notícia! Mas pra falar a verdade, como a distro vai usar o GNOME3, seria impossível usar a clássica novamente. O único problema do Unity é que ele é mau compreendido por ainda não estar acabado. Por conta disso, as opções para personalização são muito limitadas. Mas o que o Unity vem propondo será um avanço enorme no mundo das computação pessoal; jamais um sistema alcançará tamanha facilidade de uso! Se adicionarem plugins como os do Gnome Do para o Unity, permitindo enviar e-mails, iniciar conversas, postar para as redes sociais e etc. direto pela dasher, pronto! Espero que em breve implementem um pouco de A.I. no Unity também, e vamos ser sinceros: fechar as opções para a comunidade vai de encontro com o espírito livre, mas convenhamos, uma comunidade toda voltada para o desenvolvimento de uma única ferramenta alcançará muito mais que as várias comunidades que se dividem nas mais diversas opções alcançaram em todos os tempos. Se ao invés de reclamarem começarem a desenvolver o Unity, garanto que se beneficiarão muito mais.

  7. Pra mim inovou e melhorou muito até colegas meu na Facu que nem olhava para o linux fic ficaram babando e alguns estão usando…

  8. Eu não gosto do Ubuntu, mas isso é uma questão “filosófica” minha. Não gosto como tentam mastigar o GNU/Linux para torná-lo mais “amigável”. Já vi um documentário onde as pessoas aprenderam a mexer no computador usando GNU/LInux e depois foram mexer no Windows e estranharam, portanto parem essa besteira de falar que Linux é isso e aquilo porque não se parece com o Windows. É tudo uma questão de costume.

    Quanto ao Unity, nada contra, mas eu simplesmente prefiro o Gnome 3.

    Abraço.

  9. Eu acho estranha idéia de precisar tirar minhas mãos do mouse pra digitar o nome do aplicativo que desejo abrir. O problema é que trata-se de uma tendência, o dash do Unity, o Slingshot do ElementaryOS estão todos “touchlizados”, e sinceramente isso está me irritando um pouco.

  10. Olha eu tb me desapoontei c a Unity.. nao por ela em sí, o geito de acessar programas é como eu navego na web, clico em 2 ou 3 teclas e “enter”. A beleza dela tb me agrada. o chato são alguns bugs que estão irritando demais. No demais meu workflow continua o mesmo.
    O dilema da Canonical é vivenciado o tempo todo, como onde trabalho uma firma de software que tem q atender clientes com maquinas com mais de 15 anos (!!!) mas tem a necessidade de atualizar o sistema para poder vender para clientes novos. Pelo que vi a Canonical esta se saindo bem nisso.

    Ps.: quando minha mulher foi logar na área de trabalho dela e vio o Unity pela primeira vez ela não achou o programa que queria. Oque não ocorreu quando ela sentou no meu PC pela primeira vez com o Ubuntu 10, sem saber q era um Linux ela localizou o programa mais fácil dq no Windows de primaira. É um ponto negativo pra mudança, mas isso mais por culpa do “vicio”

  11. Pô, Kadu,
    Essa história de que nada pode deter a inovação e de que o progresso é sinônimo de testar tudo o que há de novo para cima da comunidade parece as histórias da M&cos*ft empurrando o Wvista para cima do povo. Não rege. Uma empresa de software livre tem que ter a base de usuários firme, e isso se costrói ouvindo talvez, quem sabe, muitos mimimis. Um deles afirma que a Unity veio e ainda está toda bugada. O que o Ubuntu tinha conseguido em sucessivas distros – cada vez mais bonitas, cada vez mais estável, ruiu. O que era uma distro boa, avançada, fácil de usar, virou assunto de geek. Para uma empresa que quer inovar, isso deveria ser assunto de pauta de diretoria. Ou estão querendo inventar o Ubuntosh? Seria uma pena.

  12. Olha, eu sempre usei KDE e gostei do Unity. Venho usando. Usei Unix e posteriormente Linux já faz uns 25 anos, de modo que já experimentei diversas interfaces (aliás usei Unix sem qualquer interface gráfica por muito tempo, em monitor CRT de fósro verde rs), e acho o Unity muito bom, principalmente para um notebook. Eu não gosto muito é do Ubuntu, prefiro o OpenSuse, que acho mais estável e mais prático para servidores. Interface? O Xfce resolve muito bem pela simplicidade e performance, mas era bugado, vou até testar agora que a Debian adotou… O Unity eu uso porque acho legal para desktop, minha familia usa sem problemas em casa. Não entendo como “especialistas” em Linux dizem ficar perdidos no Unity. Se o caso é dificuldade para usar esse conceito da interface do Unity, é so usar outra, ora essa. Há varias opções. Não é possível que não exista uma que não sirva.

    Na boa, cada um tem seu gosto pessoal e ponto. O Linux oferece várias opções de interface.Essa discussão em torno de interface parece uma conversa de comadres. Eu não gosto de interfaces carregadas, cheias de efeitos especiais, porque não é isso que melhora minha produtividade no trabalho. Interface… é só interface.

    O usuário Linux atual ficou muito fresco, parece estar mais preocupado com o visual do que com produtividade, parece até… usuário Windows. 😉

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